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Pittosporum undulatum

Arbusto ou árvore perene, com folhas verde-escuro, flores brancas e frutos cor-de-laranja.

Nome científico: Pittosporum undulatum Vent.

Nomes vulgares: árvore-do-incenso, pitósporo, pitósporo-ondulado, pau-incenso, incenseiro, falsa-árvore-do-incenso, incenso

Família: Pittosporaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: (em desenvolvimento)

Data de atualização: 04/02/2013

Aspeto geral da planta
Folhas ovado-lanceoladas, de margem ondulada
Pormenor das flores com estames amarelos
Cápsulas fechadas
Frutos maduros, abertos, evidenciando as sementes envolvidas por mucilagem

 

Como reconhecer

Arbusto ou pequena árvore de até 15 m, com ritidoma cinzento.

Folhas: perenes, pecioladas, ovado-lanceoladas, agudas, com 5-15 x 1,5-4 cm, glabras, de margem ondulada, alternas ou agrupadas na terminação dos ramos.

Flores: brancas, aromáticas, reunidas em cimeiras que se assemelham a umbelas.

Frutos: cápsulas obovoides a subglobosas, glabras, com 2 valvas, cor-de-laranja quando maduras. Sementes cor-de-laranja envolvidas por mucilagem.

Floração: março a junho.

 

Espécies semelhantes

Pode confundir-se com o loureiro (Laurus nobilis L.), mas este tem aroma forte, bagas pretas e as folhas têm pecíolo mais curto e as margens não são onduladas. Mais raramente pode ser confundido com o folhado (Viburnum tinus L.), enquanto jovem, mas este apresenta tufos de pelos nas axilas das nervuras da página inferior.

 

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se vegetativamente formando vigorosos rebentos de touça e raiz após o corte.

Também se reproduz por via seminal produzindo muitas sementes (até 37500 sementes/árvore), que são dispersas por animais, sobretudo por aves.

 

 

Área de distribuição nativa

Sudoeste da Austrália.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Beira Litoral, Baixo Alentejo, Estremadura), arquipélago dos Açores (todas as ilhas), arquipélago da Madeira (ilha da Madeira).

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Áreas geográficas onde há registo da presença de Pitosporum undultum

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha), África do Sul, América do Norte (México, EUA), América Central (Cuba), Austrália, Nova Zelândia.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais em jardins, arborização urbana e sebes.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Áreas geridas (e.g., Mata Nacional do Bussaco, Serra de Sintra), onde foi plantada como ornamental, margens de vias de comunicação e locais ruderalizados.

Desenvolve-se bem à sombra, apesar de ser uma espécie de luz.

É pouco exigente quanto ao solo, crescendo bem no litoral e em terrenos calcários.

 

 

Impactes nos ecossistemas

Forma povoamentos densos impedindo o desenvolvimento de outras espécies.

As folhas contêm toxinas que podem impedir o desenvolvimento de outras espécies.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

- Florestas mistas de carvalho-alvarinho (Quercus robur), ulmeiro (Ulmus minor) e freixo (Fraxinus angustifolia) das margens dos grandes rios (91F0);
- Matagais arborescentes de loureiro (Laurus nobilis) (5230);
- Carvalhais ibéricos de carvalho-cerquinho (Quercus faginea) e e carvalho-da-Argélia (Quercus canariensis) (9240).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Pittosporum undulatum incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. Em susbtratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo.

Descasque: metodologia preferencial para plantas adultas com casca lisa, sem feridas. Fazer uma incisão em anel, contínuo, à volta do tronco, à altura que for mais confortável para o aplicador e remover toda a casca e câmbio vascular até à superfície do solo, se possível até à raiz. Deve realizar-se apenas quando o câmbio vascular estiver ativo o que pode variar de local para local; as melhores épocas para realização coincidem com temperaturas amenas e com alguma humidade.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida: aplica-se a plantas adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível e aplicação imediata (impreterivelmente nos segundos que se seguem) de herbicida (princípio ativo: glifosato) na touça. Se houver formação de rebentos, estes devem ser eliminados através de corte, arranque ou pulverização foliar com herbicida (princípio ativo: glifosato); até 25 a 50 cm de altura). Rebentos de maiores dimensões (a partir de 2-3 cm de diâmetro) podem ser descascados ou repetir a metodologia inicial (corte com aplicação de herbicida).

 

Controlo químico

Injeção de herbicida: aplica-se a plantas adultas. Aplicação de herbicida diretamente no sistema vascular da planta através da realização de pequenos furos (com um berbequim) de ca. 10 cm de profundidade à volta do tronco da planta. Em cada furo aplicar imediatamente (impreterivelmente nos segundos que se seguem) herbicida (1 ml) com um esguicho. Os furos devem ser realizados à altura do tronco que for mais conveniente para o aplicador, num ângulo de ca. 45° (para evitar o escorrimento do herbicida) e com intervalos de 5-10 cm entre eles. O número de furos a realizar depende do diâmetro da planta.

 

Fogo controlado

Pode ser utilizado estrategicamente com o objetivo de estimular a germinação do banco de sementes, e.g., após controlo dos indivíduos adultos (com a gestão adequada da biomassa resultante) ou para eliminação de plantas jovens. Tem como grande vantagem a redução do banco de sementes, quer destruindo uma parte das sementes quer estimulando a germinação das que ficam.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

CABI (2012) Pittospotum undulatum. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 6/11/2012].

Global Invasive Species Database (2005) Pittosporum undulatum. Disponível: http://www.issg.org/database/species/ecology.asp?si=344&fr=1&sts=&lang=EN [Consultado 16/11/2012].

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Silva L, Corvelo R, Moura M, Coello RM, Carvalho JA (2008) Pittosporum undulatum Vent. Br. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 225-228.