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Ageratina adenophora

Erva perene até 2 m, aromática, de flores brancas ou rosadas vistosas.

Nome científicoAgeratina adenophora (Spreng.) R. M. King & H. Rob.

Nome vulgar: abundância, inça-muito, milho-cozido

Família: Asteraceae (Compositae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora

Nível de risco: (em desenvolvimento)

Sinonímia: Ageratina trapezoidea (Kunth) R. M. King & H. Rob., Eupatorium adenophorum Spreng., Eupatorium glandulosum Kunth, non Michx., Eupatorium pasdadense Parish, Eupatorium trapezoideum Kunth

Data de atualização: 04/02/2013

Aspeto geral da planta (Foto: Cristina Medeiros)
Planta jovem evidenciando os caules purpurescentes (Foto: Cristina Medeiros)
Folhas triangulares a romboidais, com as margens serradas (Foto: António Pestana)
Flores reunidas em capítulos densos (Foto: António Pestana)
Área invadida (Foto: Manuel José Jesus)

 

Como reconhecer

Erva perene ou subarbusto até 2 m, de caules ramificados e de cor púrpura quando jovens, densamente pubescentes-glandulosos.

Folhas: opostas, triangulares a romboidais, com 4-10 x 2-9 cm, acuminadas, longamente pecioladas, serradas na margem, densamente pubescentes, verde-escuras na página superior e violetas na inferior.

Flores: brancas, por vezes rosadas ou púrpuras, reunidas em capítulos densos (10 a 60 flores) de 5-10 mm de diâmetro, de invólucro campanulado, tubulosas, com 5 lóbulos.

Frutos: cipselas pretas, glabras, de 2 mm comprimento, com papilho branco de 3-4 mm.

Floração: março a julho.

 

Espécies semelhantes

Existem outras espécies de Ageratina com flores brancas com as quais Ageratina adenophora pode ser confundida. Ageratina riparia (Regel) R. King & H. Robinson tem alguma semelhança, mas é de menor porte (até 30 cm de altura) e as folhas são mais estreitas. Ageratina ligustrina (DC.) R. M. King & H. Robinson, também é semelhante mas a página superior das folhas é verde-escuro-brilhante.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal, produzindo um elevado número de sementes (cada planta pode produzir até 60000 sementes/m2) que são facilmente dispersas pelo vento, água e animais.

Área de distribuição nativa

América central (México).

 

Distribuição em Portugal

Arquipélago dos Açores (ilhas de São Miguel, Terceira, S. Jorge, Pico, Faial), arquipélago da Madeira (ilhas da Madeira, Porto Santo e ilhas Desertas).

Áreas geográficas onde há registo da presença de Ageratina adenophora

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha, Itália, França, Grécia), Austrália, Nova Zelândia, oeste dos EUA (Califórnia), América central (Jamaica), Ásia (China, Índia), África (África do Sul, Nigéria, Quénia).

 

Razão da introdução

Provavelmente acidental. É provável que também tenha sido usada como ornamental

 

Ambientes preferenciais de invasão

Arribas, margens de linhas de água e de vias de comunicação, incluindo áreas perturbadas e agrícolas.

Também invade áreas naturais e seminaturais.

 

 

Impactes nos ecossistemas

O crescimento rápido leva à formação de áreas densas impenetráveis que podem impedir o desenvolvimento da vegetação nativa.

 

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo, principalmente em áreas cultivadas.

Diminuição da produtividade em terrenos agrícolas.

 

Outros impactes

Todas as partes da planta são muito aromáticas, podendo provocar reações alérgicas.

Planta muito tóxica para mamíferos, especialmente para cavalos.

Tem efeitos alelopáticos.

 

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Ageratina adenophora incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para áreas invadidas de pequena dimensão. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular.

Corte. Constitui uma alternativa ao arranque manual, sobretudo em áreas extensas invadidas pela espécie.

Em qualquer das metodologias, deve garantir-se que as plantas não ficam no local, pois as plantas secas são tóxicas para os animais.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida. Corte dos caules tão rente ao solo quanto possível e posterior aplicação de herbicida (princípio ativo: glifosato, 2,4-D) na zona de corte quando os rebentos atingirem 15 a 40 cm altura.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato, 2,4-D) limitando a aplicação à espécie-alvo. Dever ser feita na altura de maior crescimento da planta.

 

Controlo biológico

Procecidochares utilisStone (Diptera: Tephritidae) tem sido utilizado, com algum sucesso, em muitos locais (China, Índia, Nepal, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul) para controlo de Ageratina adenophora. Esta espécie forma galhas nos caules de Ageratina adenophora reduzindo a taxa de germinação. Supõe-se que este formador de galhas tenha sido introduzido na ilha da Madeira antes de 1971 para controlo de Ageratina adenophora, embora não haja referências concretas a este aspeto.

O fungo Passalora ageratinae (=“Phaeoramularia” sp.) (Mycosphaerellales: Mycosphaerellaceae) tem sido usado desde 1987, na África do Sul, com sucesso moderado no controlo de Ageratina adenophora.

Estes agentes não foram ainda testados em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização ainda não constitui uma alternativa no nosso país.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

 

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2012) Releases of biological control agents against weeds in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/home.asp?PID=1000&ToolID=63&ItemID=2359 [Consultado 02/01/2013].

Alvarez M (2000) Ageratina adenophora. In: Bossard CC, Randall JM, Hoshovsky MC Invasive Plants of California’s Wildlands. University of California Press, Berkeley, CA, pp. 29-187.

CABI (2013) Ageratina adenophora. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 02/01/2013].

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2013) Eupatorium adenophorum. Disponível: http://www.europe-aliens.org/speciesFactsheet.do?speciesId=22615 [Consultado 02/01/2013].

Dana ED, Sanz-Elorza M, Vivas S, Sobrino E (2005) Especies vegetales invasoras en Andalucía. Consejería de Medio Ambiente, Junta de Andalucía, Sevilla, 233pp.

Muniappan R, Raman A, Reddy GVP (2009) Ageratina adenophora (Sprengel) King and Robinson (Asteraceae). In: Muniappan R, Reddy GVP, Raman A (eds) Biological Control of Tropical Weeds using Arthropods. Cambridge University Press, Cambridge, pp. 63-73.

Osorio VEM, de la Torre WW, Land EO, Silva L, Fernandes FM (2008) Ageratina adenophora (Spreng.) R. M. King & H. Rob. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 201-204.

Smit JT (2006) The Tephritidae (Diptera) of the Madeiran archipelago, Portugal.  Instrumenta Biodiversitatis VII: 243-258.

Wan F, Liu W, Guo J, Qiang S, Li B, Wang J, Yang G, Niu H, Gui F, Huang W, Jiang Z, Wang W (2010) Invasive mechanism and control strategy of Ageratina adenophora (Sprengel). Science China. Life Sciences 53(11): 1291-1298.